As agências e empresas que se importam com pesquisa de comportamento, costumes, tendências e tudo o que diz respeito a um grupo de pessoas ou lugar sai na frente na hora de lhe dar com os consumidores.
Um belo exemplo disso é esse filme da Vivo (criado pela Africa), que mostra um pai se separando da mãe e que não vai mais morar com a filha, pra quem ele promete estar sempre perto (através de um celular). Quantos pais não vivem isso? Esse filme faz com que homens na mesma situação se identifiquem com a marca, percebe o quanto ela é humana. É o bom uso do esteriótipo.
Quando for criar, inspire-se no consumidor e não nas peças vencedoras de Cannes.
Há duas campanhas da Vivo que acho incríveis, mas vou falar de apenas uma nesse post. Não sei o nome da campanha e nem quem a criou – acho que foi a Africa – (se alguém puder ajudar, comenta aí). Eu a chamo de ‘Não estava nos meus planos’.
Quem a criou fez uso excelente da palavra “Plano”. Nos filmes da campanha usaram dois significados da palavra, que é homônima perfeita (palavras que possuem a mesma grafia e o mesmo som, mas significados diferentes).
Planos, no comercial da Vivo, significam metas, objetivos e também o tipo de plano que a pessoa tem da operadora de celular. Foi uma puta sacada e merece estar aqui. Isso é redação publicitária.
A guerra dos sexos dá pano para a manga publicitária há tempos. Vemos homens versus mulheres em comerciais de cerveja, carro, perfume…
Mas por que as agências buscam trabalhar a diferença entre eles? Há algumas respostas: a guerra dos sexos agrega humor à campanha, o que faz com que as pessoas comentem e compartilhem o que viram; ela também permite facilmente o público se identificar com a personagem do filme, e assim, com a marca anunciada e o mais importante, essa guerra é antiga, é clássica e faz parte da nossa cultura, que é a melhor forma de atingir o consumidor.
Um dos comerciais mais compartilhados mundialmente é a Walk-in Fridge da Heineken, criada pela TBWA/Neboko.
Veja outros filmes que usam a diferença entre homens e mulheres como pano para a criação.
E o portfa do cara serve muito como inspiração e lição =) Vai uma palhinha:
Um puta clássico criado pela AlmapBBDO para a Volkswagen. Leão de ouro de Cannes em 99. A criação é de Eugênio Mohallem e Marcello Serpa. Então tá, né.
Estamos vivendo uma fase na internet em que praticamente tudo se torna um viral. Isso por causa das redes sociais e da interatividade que ela oferece.
As agências de publicidade passaram a enxergar uma oportunidade única de distribuir ao maior número de pessoas algum tipo de conteúdo, de forma totalmente gratuita.
Para se tornar um viral, o conteúdo deve ter a cara do público e das coisas que ele costuma repassar para seus amigos. A internet facilita isso, apresentando número de views nos canais de vídeos e de compartilhamento em blogs repletos de memes.
Essa semana o #LuízaEstáNoCanadá conquistou os meios de relacionamento digital como Twitter e Facebook, chegou a se tornar um jogo e até o Lenine zoou num show em João Pessoa. A Luíza “nasceu” de um filme comercial de um empreendimento protagonizado por Gerardo Rabello, um colunista famoso na Paraíba. Logo em seguida já estava bombando na internet.
Veja o comercial:
Um outro empreendimento imobiliário veiculou um anúncio impresso, em criação da TNG ZAG, brincando com o meme. Uma empresa de viagens também aproveitou a oportunidade para promover pacotes para o Canadá. Clique nas imagens para ampliar.
Já a agência Africa usou um vídeo que já havia tido grande repercussão para o seu cliente Itaú. Eles adaptaram as core, melhoraram a qualidade do vídeo e construíram uma narrativa. O bebê gargalhando é uma delicinha e continua sendo repassado.
Veja o comercial do Itaú:
Assista ao vídeo original:
Por favor, só tenha cuidado para não usar um vídeo sem a autorização do dono e das pessoas que aparecem nele. Isso renderia um processo e a polêmica seria negativa.
Anúncio de oportunidade é um dos meus tipos preferidos, pois aproveita algum acontecimento para favorecer a marca anunciada.
Criar a partir de algum fato quevirou notícia é chamado de anúncio de oportunidade. Pode nem ter a ver com o produto/serviço/marca anunciado, mas os criativos dão um jeito de criar uma conexão, uma amarração. Esse tipo de anúncio gera um buzz por parte dos consumidores, aumentando ainda mais a visibilidade do anunciante.
Um exemplo é o comercial do Guaraná Antárctica com o Neymar. A criação é da DM9DDB e aproveitou a notícia de que o jogador ficaria no Santos para “justificar” o fato. Segundo o filme, o atacante ficará no Brasil porque na Europa é frio e não tem Guaraná Antárctica. Veja a notícia aqui.
Outro exemplo é o anúncio da Ocean Air alfinetando a concorrente Gol, que havia acabado de anunciar a cobrança pelos serviços de bordo. Veja a notícia aqui.
Muitas marcas e agências aproveitam as datas comemorativas para veicular anúncios de oportunidade. É uma forma de agradecer e homenagear os consumidores. O anúncio abaixo é da concessionária Carrera Chevrolet no Dia do Motorista (e o legal é que ainda usa a palavra álcool com duplo sentido – relação entre beber e dirigir e combustível).
Fique de olho nos noticiários e aproveite as oportunidades para criar para os seus clientes, mas cuidado com o oportunismo, pois a oportunidade não passa por cima de ninguém, nem abusa da sensibilidade das pessoas para vender alguma coisa.
Se você tem um tablet ou celular com e-book esse post é perfeito para você. Agora se você não tem, aproveite o tempo livre no trabalho e leia ao invés de caçar piadinhas na internet =) E só imprima se for para realmente ler e emprestar depois. O planeta agradece.
Todos os arquivos abaixo estão em PDF. Boa leitura.
A metáfora é uma figura de linguagem, que consiste na comparação implícita de dois termos ou retira uma palavra (ou uma ideia) de seu contexto convencional para aplicar num novo campo de significação.
A agência espanhola Double You criou para a Atrápalo, uma agência de viagens e lazer urbano, um concurso cultural com o uso (muito bem feito) da metáfora. As pessoas foram convidadas para realizar um teste de implantação de lembranças que incluía escrever uma frase e para ser selecionado o indivíduo deveria atingir uma determinada pontuação (o regulamento explicava que a frase é que seria avaliada para a escolha do vencedor).
O raciocínio: quando alguém viaja, come em um restaurante diferente, passeia de balão, faz boia cross ela não esquece e aquela experiência fica em sua memória. Para divulgar o concurso eles usaram o termo “implantação de memória”. A ideia é muito boa e a aplicação da metáfora é perfeita. Veja o filme: